Área de Concentração: Desenvolvimento Econômico Regional

  • Descrição: O desenvolvimento econômico regional decorre da ênfase dada às dinâmicas locais, cuja avaliação sob a perspectiva histórica é estratégica para a compreensão dos fatores a ele relacionados.

Linhas de Pesquisa

  • Linha de Pesquisa 1: Dinâmica Agrária e Desenvolvimento Sustentável
  • Linha de Pesquisa 2: Economia Regional e Urbana
  • Linha de Pesquisa 3: Economia, Sociedade e Meio Ambiente

Descrição das Linhas de Pesquisa

 

  • Dinâmica Agrária e Desenvolvimento Sustentável:

As dinâmicas econômicas associadas as economias rurais e agrárias no mundo inteiro tem sofrido alterações estruturais nos últimos anos tendo em vista o forte processo de globalização e integração dos mercados de commodities agrícolas em escala nunca antes alcançadas. Mercados antes isolados do resto do mundo passam a se integrar em um grande mercado global de matérias-primas e insumos para a indústria de alimentos e demais setores industriais e agropecuários em forte processo de expansão no mercado internacional. Setores que, em geral, passam a demandar uma grande quantidade de produtos agrícolas (e ou extrativos em algumas regiões), e a estimular o crescimento, em regiões periféricas, de um mercado de terras e demanda sobre o estoque de recursos naturais com grandes impactos sobre as suas dinâmicas territoriais de longo prazo. No caso especifico da Amazônia, este fenômeno tem sido observado dominantemente por meio do fenômeno do desmatamento e pela exploração dos recursos minerais, e avaliada basicamente pelos riscos ambientais a isso associados, desde a contribuição ao aquecimento global até os efeitos deletérios de possível savanização ou devastação dos recursos naturais da região. Por outra parte, se demonstra a distribuição desigual dos resultados de tal uso da base natural que dever impactar, negativamente e com maior contundência, a grande massa dos mais frágeis. Neste contexto, urge que se delineiem estratégias de reorientação das tendências presentes, que configuram atualmente desenvolvimento ecologicamente predatório e socialmente desigual. Para isso, esta linha de pesquisa pretende aprofundar, de maneira específica, os estudos sobre a dinâmica agrária na Amazônia. Assim como de sua estrutura econômica tradicional agroextrativista e agropecuária que se constitui por séculos de história, envolvendo estudos sobre padrões produtivos baseados na preservação do Bioma e em dinâmicas que, ao contrário das primeiras, se contrapõem logica de preservação ambiental da floresta tropical amazônica. Ao mesmo tempo, pretende-se aprofundar os estudos sobre as experiências de implementação de grandes projetos agropecuários e estudos sobre a dinâmica da economia de base agrária na Amazônia no século XX e XXI. Por esse ponto de vista, buscaremos consolidar uma vertente de interpretação teórica e histórica sobre a dinâmica econômica regional que privilegia a leitura. De sua dinâmica agrária com base em grandes trajetórias tecnológicas baseadas na confluência de uma diversidade de sistemas agrários com recortes em nível de mesorregiões.

  • Economia Regional e Urbana:

A linha de pesquisa Desenvolvimento regional e urbano busca integrar projetos e formação curricular em torno da dinâmica contemporânea dos padrões de desenvolvimento e da economia politica do espaço de acumulação capitalista no Brasil e na Amazônia. O estabelecimento de uma linha de pesquisa focada nos aspectos elencados converge um conjunto de preocupações cientificas que podem ser subdivididas nos seguintes aspectos:

i) As profundas alterações nas dinâmicas macroeconômicas e microeconômicas estabelecidas nas últimas décadas. Em termos bastante gerais, pode-se observar que a atual Divisão Internacional do Trabalho (DIT) tem uma grande tônica no formato em rede das empresas globais, sendo que cabe aos países centrais a produção de partes e componentes de alto valor agregado e em pesquisa e desenvolvimento para gerar os conhecimentos produtores de inovação tecnológica, por sua vez os países periféricos participam intensivamente do mercado mundial dentro de uma combinação que se torna crescentemente integrada pelo planejamento das empresas.

ii) A crescente interação entre Capitais, Estados e Organizações Multilaterais, condicionando as relações de poder internacional e dimensionando a maior ou menor fragilidade das economias nacionais e os respectivos impactos sobre as dimensões regionais e urbanas das respectivas formações econômicas nacionais.

iii) A dimensão urbana assume novos contornos, seja em função da formação das megalópoles globais que polarizam e nucleiam um vasto conjunto de redes de cidades médias; seja pela estruturação de um amplo leque de cidades médias que circundam e polarizam um vasto entorno territorial.

iv) O debate em si sobre o tema desenvolvimento se alterou bastante nas últimas duas décadas, deixando de ser somente a elucidação dos fatores referentes a uma maior ou menor taxa de crescimento, para passar a incorporar outros aspectos mais qualitativos e, de diversos modos, mais integrados a uma teoria da dinâmica do desenvolvimento, considerando, inclusive, a dificuldade de orientar um conjunto tão grande e distinto de vetores sociais, econômicos, ambientais e institucionais. As recentes teorias do desenvolvimento, observam que um dos aspectos centrais refere-se disponibilidade e capacidade governativa das instituições, especialmente as que se destinam ao controle do mercado (regulação) e ao planejamento do desenvolvimento.

v) A expansão econômica depois da Segunda Guerra Mundial trouxe também a preocupação com o uso desenfreado dos recursos naturais e aumento da poluição, sendo intensificada com a crise do petróleo no começo dos anos 1970. Nesse contexto, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou, em 1972, a Conferência sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo (Sucia), visando discutir proposta de prevenção e melhoria do meio ambiente. 

  • Economia, Sociedade e Meio Ambiente:

A compreensão econômica dos problemas da Amazônia não pode desconsiderar o fato que a região é a maior floresta tropical do planeta. Sendo assim, os problemas associados ao meio ambiente e suas interações com a economia é o foco fundamental de uma das linhas de pesquisa do PPGE-UFPA. A Amazônia uma das regiões do Brasil onde os impactos da ocupação humana apresentam a maior visibilidade global e podem, eventualmente resultar em impactos globais também significativos. A degradação florestal, como parte destes impactos, contribui para a emissão global de carbono, uma das principais fontes de efeito estufa. Segundo Nepstad et al. (2007), somente a Amazônia possui um estoque de 48 9 bilhões de toneladas de carbono distribuídos em 3.3 milhões de quilômetros quadrados. Em verdade, o conjunto de impactos do desmatamento na Amazônia pode ser pensado em três direções, com repercussões sócio-econômico-ambientais (externalidades) de caráter local ou global: a) diminuição das atividades econômicas sustentáveis, como a extrativa de recursos florestais no-madeireiros; b) perda dos serviços ambientais, do que a fundo de estocagem de carbono apenas uma delas. Podem ser citadas dentre outras ainda: a ciclagem de nutrientes, combate a erosão, combate aos focos de fogo, fundo climática etc; c) perda da biodiversidade e os benefícios potencias associados a ela. Assim, possível se elencar do ponto de vista econômico, perda de benefícios ligados ao seu valor de uso direto, seu valor de uso indireto (valor de opo), e valor de existência. De fato, a perda de capital natural, envolve um custo ambiental que pode ser mensurado em diferentes dimensões. De um lado a perda do potencial da biodiversidade, relacionada ao uso dos recursos naturais. De outro lado, o valor de uso do capital natural da Amazônia está longe de ter uma avaliação completa. Dos mais de 24 milhões de pessoas que vivem na região, parte significativa desta população (aproximadamente 7 milhões) vive no campo. Uma parte significativa destas pessoas têm nas atividades de pesca e extrativismo ainda sua maior fonte de renda. A avaliação deste capital natural, dos impactos da mudança antrópica produzida na Amazônia, bem como as alternativas para seu uso sustentável são o foco dessa linha de pesquisa.